sexta-feira, 14 de agosto de 2015

"Pouca fantasia para não fingir"

Os anos que adquirimos com a idade levam nossas fantasias sabe-se lá para onde, mas ponho muita fé que para qualquer bodega não é. Me parece muito mais lógico e racional pensar que as fantasias não morrem em um abismo qualquer da nossa mente com o passar do tempo, mas habitam lugares desses que a gente sabe que existe, mas ninguém nunca viu. Certamente, as fantasias, ao encerrarem seu ciclo natural em nós, devem prontamente ir parar naquelas fazendas mágicas, onde vão os animais que sua mãe não explicou porque sumiram da sua casa, de repente, bem quando estavam velhinhos ou doentinhos. Devem talvez virar estrelinha, como querem as avós nas explicações para os netos de para onde vão nossos mortos. Imagino que as fantasias sejam cercadas de um cantinho acolhedor nessa atmosfera rarefeita que cerca os espaços do nosso esquecimento, de uma redoma de carinho, nessa aspereza amarga que paira na sala de estar da Dona Desilusão. Isso porque ando pensando muito que essa senhora está longe de ser essa mãe-chata-rabugenta-cruel que aprendemos a conhecer. Penso que, como os vários lados de uma mulher, a face mais interessante que a desilusão tem para oferecer a nossa alma pode ser admirada, saboreada, experimentada. Sei que minha forma ainda pequena de espírito não tem instrumentos suficientemente sofisticados para compreender os vão soturnos que desenham a desilusão, muito menos teria uma sensibilidade mínima que apreendesse seus sábios contornos. Mas, em algum lugar da minha também tímida inteligência de ser humano, algo me diz que há que se respeitar aquilo que desconhecemos e há que se deixar o desconhecido se aproximar de nosso campo magnético. Mais do que isso, suspeito fortemente que foi a desilusão que me levou, sem que eu me desse conta, pela mão, pelos vales mais espinhentos da solidão que recebe como bem-vinda a morte. Ouço sussurros então de que devo muito à desilusão, que um dia irei entender completamente porque devo agradecer a ela, com sinceridade no coração. Cada dia que passa tenho cá para mim que o amargo que a desilusão deixa na boca é como o amargor da cerveja: um paladar adulto vai encontrar um gosto de alívio nesse sabor.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

marias e madalenas

E sobre o estatuto do nacituro eu penso da seguinte forma: 1 - toda vítima de agressão merece ser amparada pelos amigos, família, sociedade, inclusive pelo estado. É preciso que se veja prioridades orçamentárias para qualquer medida que desembolsará auxílio financeiro. 2 - Se a vítima for de estupro e isso tiver como consequência uma gravidez caberia à vítima a decisão de manter ou interromper a gravidez e ambas devem ser acolhidas e respeitadas e acho justo que a vítima tenha todo o amparo, inclusive financeiro do estado. 3 - Caso a vítima opte pela manutenção do filho, seja pelo motivo que for, inclusive por suas crenças, religião, essa opção deveria ser respeitada. Se não muda nada para a mulher que decide não ter o filho, se seus direitos de não tê-lo continuariam assegurados, qual o problema da que decide ter o filho receber um auxílio financeiro para criar esse filho? E não vejo nisso um privilégio a quem preferiu ter o filho, pois o dinheiro não é para sustentar a mãe, mas a criança (que nesse caso não seria mais um óvulo fecundado). 4- Pelo que eu entendi, infelizmente, não é essa a proposta do estatuto. Mesmo que modificado, o projeto, apesar de não impedir que a mulher vítima de estupro aborte (a mulher que optar pelo aborto ainda é amparada pela lei), é concebido pro princípios que servem à favor da criminalização do aborto, a qual eu sou completamente contra. 5 - A possibilidade do auxílio financeiro vir do agressor deveria ser uma opção da vítima e não uma imposição de lei nenhuma. Eu imagino que seria mais sensível e humano mesmo é que a mulher agredida pudesse escolher o que ela achasse mais confortável, mais justo, ou simplesmente menos dolorido de lidar na forma como ela irá receber esse auxílio. 6 - Enfim, achismos (que podem mudar inclusive) à parte, quero dizer que ando lendo discursos inflamados por aí que não me fazem sentir que as conquistas e os direitos da mulher estão sendo realmente levados em consideração, que me parecem mais guiados pelo velho fundamentalismo que não aceita as diferenças do outro. Para mim, interessa que as vítimas sejam amparadas (e, apesar de achar um instrumento necessário à organização social, pouco me interessa a punição dos agressores - a ideia de justiça que costuma estar atrelada à punição não me atrai, não me explica e não me conforta). Interessa que as mulheres tenham seus direitos, sua saúde e sua segurança priorizados em relação ao embrião, feto, ou bebê que esteja em gestação. Interessa que as pessoas e, principalmente, as outras mulheres possam respeitar esses direitos e lutar pelo amparo das que são vitimas de agressão. Esse respeito, para mim, começa inclusive na hora de "lutar" por ele. Não entendo as ofensas gratuitas. O uso de expressões como "bolo de células" para falar do óvulo fecundado certamente deve deixar as mulheres que são contra o aborto, mesmo que seja pela sua religião, mais apavoradas ainda com a possibilidade de interromper uma gravidez. Ou seja, mulheres conscientes dos seus direitos, progressistas, libertárias respeitam o direito das suas iguais, "lúcidas" como ela. Deixemos de lado as que são machistas, conservadoras, religiosas e escravas da nossa herança patriarcal, é isso? Essas devem ser desamparadas, ou não ter o nosso respeito às suas crenças ou escolhas? Sou contra o estatuto do nascituro pelo seu princípio, por tocar num assunto tão delicado, como o amparo às vítimas do estupro, de forma tendenciosa, mais preocupada com a normatização de uma moral religiosa do que com garantir direitos e proteção de fato ao ser humano. Sou contra porque o estatuto é um retrocesso em relação a conquistas relacionadas à legalização do aborto, que se faz urgente. Sou contra também argumentos que consideram que dar um auxílio financeiro à mulher que é vítima de estupro e quer seguir a gravidez seria uma maneira de criminalizar as que decidem pelo aborto. E, principalmente, sou contra manifestações que estão mais preocupadas em gritar que estão certas do que em explicar, discutir, refletir sobre o que pode ou não favorecer à mulher, todas elas: marias e madalenas.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

essa tal de liberdade

Um pensamento: aprendi desde muito cedo a usar minha liberdade (para o bem ou para o mal). Isso quer dizer que aprendi a usar e não a abusar. Tudo graças a minha mãe, que acreditou que eu podia fazer isso desde bem novinha mesmo. Como tudo na vida, essa aposta da doutora também teve seu preço (eu pago e ela também), mas eu digo a vocês que toda vez que eu vou tentar adentrar mais na natureza humana, especialmente a contemporânea (da minha geração, inclusive), eu penso que tenho um orgulho sem modéstia de estar pagando essa conta aí. Acho uma pena a herança do individualismo moderno que recebemos ter se tornado essa patética incapacidade do privado para dialogar com o domínio do público (e desconfio que vale um "e vice-versa" aqui). Em tempos de eleição essas considerações parecem ganhar ainda mais força, no entanto, podemos olhar ao redor, do nosso ladinho, nas mais íntimas relações, na mais próximas, nas mais familiares e as considerações continuam valendo, e como! Sem nenhuma intenção de fechar o discurso, de estar certa, me permitam apenas essa tentativa de conversa. Vou postar mais alguns links aqui relacionados.

http://www.cartacapital.com.br/sociedade/a-ascensao-conservadora-em-sp/

http://palomaguedes.com/2012/09/24/onde-sao-paulo-vai-parar/

http://sociotramas.wordpress.com/2012/09/17/supermercados-de-gente/

E finalmente, obrigada, mãe!

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

corações

Sobre esse mundo de desencontros e nossa busca quase quixoteana pelo amor, uma passagem hoje eu queria deixar registrada. Um amigo me falou de um projeto muito interessante dele que envolve arte digital, alguma matemática e, vejam só, amor. Eu tenho uma espécie de projeto também, só que é pessoal e mais se encaixa na definição de um hobby. Fotografo coisas em formato de coração que cruzam o meu caminho. E passei, aos poucos, a atribuir um sentido quase mágico a esse cruzamento do acaso com a minha interpretação, meu olhar que vê corações nas coisas do dia-a-dia. Até agora tenho dois: uma folha, em cima da qual eu pisaria por um milésimo de segundo e uma mancha de nódoa no meu único sobretudo preto, único que aguenta de verdade o frio paulistano. Voltando ao meu amigo, ele iria começar a me descrever o projeto e, não intencionalmente, a largada já foi uma metáfora muito apropriada para ambos projetos, o meu e o dele, assim como muito provavelmente para nossas vidas. E para a vida de quem não seria, me pergunto, melhor dizendo. Segue um trecho da conversa (sem nenhuma obrigação com a verdade, por favor):

VJ pixel: estou pesquisando corações


Juana: an???


Juana: ah, claro! eu tenho uma foto de uma folha em formato de coração, serve?


VJ pixel: estou procurando algo mais...

pixel

Vj pixel: mas pode servir pra outra coisa!

Vj pixel: digo, é uma boa coincidência que pode virar algo :) http://pinterest.com/vjpixel/pixel-art/

Juana: qd vc escreveu "pesquisando corações" achei engraçado pensar no sentido metafórico, pois talvez fizesse sentido pra vc tb...

Vj pixel: não havia pensado nisso

Juana: vou escrever sobre no meu blog, certo?

Vj pixel: sim!


E aí está, portanto. Linhas que incidem sobre outras que incidem sobre outras e assim vão, formando essa teia de pequenos encontros sobre amor, por amor, de amor, enfim...  
Um dia outro amigo querido me falou sobre uma pesquisa-brincadeira dele e outro amigo que se chamava "antropologia do amor". Certamente não me lembrarei aqui do que se tratava mesmo, mas lembro que ele me contou isso por um "encontro" também de pensamentos. Eu falava sobre minha hipótese do amor correspondido como a única possibilidade de amor na sua essência (essa daí eu deixo a explicação para outra hora, outro texto) e ele me explicou essa tal de antropologia do amor! Me lembro de ter sido legal falar disso, mesmo que estivéssemos na verdade sendo completamente ridículos, ou infantis, ou bobos mesmo. Era mais um encontro, dos tantos, dos raros, de amor!

"eles partiram por outro assuntos, muitos
mas no meu canto estarão sempre juntos, muito
(...)
qualquer maneira de amor vale o canto
qualquer maneira me vale cantar
qualquer maneira de amor vale aquela
qualquer maneira de amor valerá"
(paula e bebeto - milton nascimento)

domingo, 16 de setembro de 2012

drinkando

eu vinho, tu vinhas, ele vinha...

(só que não vem mais)

sábado, 15 de setembro de 2012

chame como quiser

(suspiros de sábado à noite)

Estou com uma leve dor de elevador. Meu pai deu esse nome a essa coisa que a gente sente que sobe e desce da garganta ao estômago, sabem? Mas ele costumava chamar isso de uma emoção que podia ser boa até. Ele dizia: "filha, quando eu te vejo chego a sentir dor de elevador". É tão bom lembrar disso... mas eu não estou sentindo uma emoção do tipo nessa minha dor de elevador. Só sei que sobe e desce, como elevador também. Mas não há nenhuma expectativa feliz nela, também nenhuma pista de melancolia. Tem alguma saudade, eu percebo. Um vazio onde a saudade pode caber direitinho, apesar de ser essa a emoção mais identificável no meio de centenas de outras que eu talvez não saiba o nome, ou talvez não tenham nome mesmo. Mas aperta e aperta. E falta. Falta demais. É falta demais! Já me perguntei se era só o buraco sem fundo que eu tanto já conheço. Aquele poço escuro cheio de eco que me é tão familiar. Dessa vez acho que não. Me parece mesmo é que algo muito importante, pelo qual eu tinha delicado afeto, me foi roubado. Nenhuma agressão constatada, mas a esperança que estava aqui ficou bem machucada. Um caso complicado, mas, vejam bem, suspeito quem seja o culpado. Sigo as marcas que ele deixou pois elas estão espalhadas em tudo que me tornei, por todos lugares que eu cheguei. Não quero prendê-lo ou confrontá-lo, muito menos colocá-lo no banco dos réus, isso não. Quero entender seus motivos, fazer dele meu amigo, perdoá-lo por todos seus crimes. Quero desvendar seus disfarces, permitir seus mistérios, nas esquinas onde ele se esconde, me encontrar. O nome dele eu não irei revelar pois tenho a convicção de que todos o sabem, preferem, no entanto, não pronunciar. Talvez pelo medo que ele se vá carregando os sonhos que cada pessoa ainda tinha para sonhar. Ele (ou será ela?), meu suspeito, há de um dia se confessar. Eu espero, eu torço, eu acredito. Esse dia fará sol e terá cheiro de limão. As casas estarão de portas abertas sempre e as pessoas cantarão juntas uma mesma melodia improvisada. Assim eu imagino.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

marcas

Senso comum e batido a idéia de que tudo passa. Ela me contou, no entanto, que quando aquele seu ex amor a deixou, ela se humilhou, implorou, chorou tudo o que podia chorar. Ele deu as costas, viajou, abusou e não mais assumiu como seu o amor que já tinha sido dela. Ela aceitou as migalhas, o pouco que ele lhe dava. Nesse meio tempo, ela conheceu alguém disposto a lhe dar mais. Algo, provavelmente, mais perto do que ela merecia (e digo isso porque não conheço de forma tão íntima o sentimento dos envolvidos). O ex amor ameaçado a procurou propondo até casamento! Sim, tudo passa. Muitas vezes só passa. Muitas vezes com essas reviravoltas surpreendentes. Mas o eco que ficou na minha cabeça, por dias, depois de ouvir a história dela, foi a súplica que ela fez, no auge do seu desespero, ao ouvir do seu analista a sentença de que aquela dor passaria: "me diga um dia, uma data, um prazo..."

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

a passagem

Ela era muito pobre e por isso ele não gostava dela. Ele gostava de mulheres ricas. Da beleza das ricas, do cheiro e do olhar daquelas que podiam mais, como ele mesmo gostaria de poder. Ali, naquelas mulheres, ele projetava seus sonhos de ser o homem que ele gostaria de ser, que ele haveria de ser...
Ela foi embora, portanto. Afinal não havia nada mais ali que segurasse seus braços, que pedisse o seu abraço, nem nada que desejasse seus beijos. Seu corpo era da cor das estrelas daquela noite. Seu céu tinha sombras de luar e seu caminho nada além de penumbras. E era assim que seria. Assim ela iria passar.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Amor só se ama junto, ou feliz 2012!

2012 chegou enfim! Eu creio que seja difícil que alguém passe imune ao apelo do signo de um novo começo, mesmo para os mais racionais, os que sabem (diferente daqueles que se entregam às comemorações de ano novo. Esses não sabem, é claro - isso foi uma ironia e eu explico porque sei que sou péssima na construção de ironias e vocês podiam não entender) que o caledário é uma invenção do homem, portanto, não haveria nenhum começo de coisa alguma numa dimensão cósmica, não é isso? Pois bem, não creio que mesmo esses não pensem ao menos em planos a serem realizados no ano que se inicia. Aliás, deve ter gente que não pensa em nada mesmo, porque tem todo tipo de pensamento e de comportamento nesse mundão de meu Deus!
O que importa para mim é que muitas, mas muitas pessoas mesmo estão sintonizadas, nesse dia da virada, em torno dos signos da renovação e dos desejos. O que eu acredito é que a força dessa energia junta abala qualquer universo, inclusive os que existem nas cabeças mais cartesianas por aí. O que eu sinto é que a sensação, mesmo ilusória, de um novo recomeço é uma das maiores responsáveis pelo abastecimento do nosso depósito de fantasias interior. Explico: querem coisa que alimente mais a imaginação de um artista que uma tela em branco? Ali nascerá um novo quadro, um novo filme, um novo poema, uma nova música. É isso que eu vejo de mais interessante nas comemorações de ano novo. Aliás, essa sensação é a que, para mim, movimenta a minha vida. Mais do que das concretizações, eu gosto desse momento das possibilidades. Provavelmente porque eu sou uma sonhadora inveterada, coisa que também não é lá das melhores de ser. Mas confesso a vocês que a tal tela em branco, o mundo de possibilidades me deixa encantada, em um estado de espírito ímpar. É quando eu me sinto melhor comigo mesma, mais corajosa, esperançosa, cheia de brilho. Por isso as mudaças de ano sempre me são muito caras. Gosto de comemorá-las, de fazer os rituais, de estar na praia, de ver fogos, de sonhar... Esse ano, em especial, eu cumpri vários ítens que eu enfiei na cabeça que trariam bons ventos para 2012. Eu pedi coisas que eu desejo muito e pedi também ajuda para que eu faça por merecê-las. Desejei coisas para mim, não vou mentir para vocês. Mas tem algo que eu acredito muito, mais até do que creio nas realizações dos desejos que pedimos para o ano novo, que é no princípio da coletividade. Me acompanha o pensamento de que ninguém pode ser muito feliz em cima da infelicidade de outrem. Desse mesmo pensamento deriva o que me leva a crer que não adianta desejar aquilo que vai ser bom para poucos. O que será melhor de fato em qualquer situação é sempre o que será melhor para um maior número de pessoas possível envolvidas. É nisso que eu acredito. Assim, meus votos para 2012 para todos vocês não são de que seus desejos se realizem, nem os meus, mas que nossos desejos estejam de acordo com uma ordem do amor, e se realizem em um mundo mais justo, mais harmônico, mais colaborativo. Que as bençãos desse ano que chega nos encontrem a todos e juntos! Mais amor em 2012 e sempre!
Com carinho para todos vocês,

Juana

sábado, 19 de novembro de 2011

essas são minhas


Ok. Cheguei no espírito de fazer meu top list musical depois de três (apenas) chopps no pub e a barriga vazia... Percebi que é impossível fazer um top 10, vou tentar fazer um mais livre: sem limite de colocações e nem hierarquia, mesmo assim é tarefa difícil, viu? Vamos lá:

Black – Peral Jam: “ I know someday you1ll have a beautiful life, I know you’ll be a Sun in somebody else sky, but why, why can’t it be, why cant it be in mine?”

Angel of the morning – versão com Nina Simone, por favor!

Come Here -  Kath Bloom – cena do filme: MUITO IMPORTANTE - http://www.youtube.com/watch?v=nQpYHiB0k6k

Everyday is like Sunday -  Morrissey – o refrão, claro! Favor cantar gritando ;)

Please Let me Get What I Want - The Smiths – Importante: ouvir no vinil.

Acontece – Cartola – “se eu ainda pudesse fingir que te amo... ah, se eu pudesse! Mas não posso, não devo fazê-lo, isso não acontece”

Vampiro - Jorge Mautner – “...você é o estandarte da agonia. Que tem a lua e o sol do meio dia.”

Estrada de Canidé – Luís Gonzaga – “Vai oiando coisa a grané. Coisas qui pra mode vê, o cristão tem que andá a pé...”

Cuteitelinho – com Nara Leão – destaque para: a última estrofe inteira.

Luka – Suzanne Vega – “I think it's because I'm clumsy, I try not to talk too loud. Maybe it's because I'm crazy, I try not to act too proud…”

Harvest Moon – Neil Young – “ because Im still in love with you, I wanna see you dance again…”

Out on a Weekend – Neil Young de novo – sei lá, não consegui deixar essa de fora… coisa pessoal demais, maybe

 

Wish Fulfillment -  Sonic Youth – essa frase: “Its such a mess now anyway. Wish Fulfillment everyday” é uma dos desabafos mais genuínos e fidedignos que eu já ouvi...

 

Who are You– Tom Waits – “don’t you know this is a war? Tell mewho are you this time?”


A letter to Elise/ Pictures of you – The Cure

Love will tear us apart – joy division

Por enquanto é isso…. Foi o que eu lembrei, mas COM CERTEZA deixei alguma coisa  muito boa de fora que só vou lembrar depois. Vale dizer que aqui é uma lista de músicas. Algumas bandas estão aí por causa de uma única música como Pearl Jam,  por exemplo. ou figuras que definitivamente eu não gosto de mais nada, como Suzanne Vega. O contrário também: Morrissey, Smiths, Cure, Neil Young - MUITO difícil pensar em uma música só. E também rolou coisas assim: AMO Pixies, mas não consegui nenhuma música para encaixar aqui... provavelmente ninguém vai entender essa lógica, mas eu quis registrar assim mesmo. Playing with myself again

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

mesmices


Eu, que não tenho iphone, ipad, inada, tenho um modelo mais antiguinho do ipod. Retomei o uso dele há mais ou menos um mês (quando voltei a fazer exercícios físicos - um clássico) e percebi como estava com saudade dele assim, só depois de voltar a usá-lo. Tenho dessas. Percebo saudades no momento em que estou justamente, ou supostamente, matando ela. Pois bem, estou aqui, falando do ipod, que é antiguinho no modelo, para dizer que antigo também é o que está lá, guardado nele. Assim, no estilo veinho por dentro e por fora. E quando eu volto a pensar no meu ipod sempre protelo em pegá-lo, pois fico imaginando que eu deveria atualizá-lo, por novas músicas, trocar algumas e tals. Ah, que trabalho chato! Deixo pra lá. Quando eu resolvo pegar ele, do jeito que está mesmo, e começo a ouvir meus velhos “disquinhos”, então entendo tudo. Tudo! Entendo porque eu fico protelando para atualizá-lo, porque eu largo ele de tempos em tempos, porque eu acho um saco trocar os arquivos de música. Entendo mais sobre mim mesma, podem acreditar. Vocês podem não querer saber (então parem de ler aqui, agora. Depois não digam que não avisei), mas eu sou essa: não fico querendo descobrir novos sons, novos artistas, novos discos. Não quero saber nem dos discos novos dos artistas que eu gosto. Aceito surpresas, é claro. Mas não procuro. Não mesmo. Tem que ser muito insistente a novidade pra chegar até a mim. Lembro que com a amy wine house eu cheguei ao absurdo de não querer ouvir, mesmo quando uma amiga colocava e dizia: “- ouve”. E olha, acho que nunca consegui me abrir de fato para ela como poderia ser, se eu não fosse eu. Digo isso porque intuo que poderia me entregar bem mais à Amy se fosse tudo uma questão de gosto apenas. Mas não. A questão aqui é bem mais complexa. Trata-se de uma alma, para meu desgosto, irremediavelmente fiel. Uma fidelidade ridiculamente canina, sabem? Por favor, me deixem com meu velho repertório musical! Mal consigo dar conta dele, por que coisas novas??? (claro que eu sei porquê, mas por que???). Antes que vocês comecem a me crucificar e me cuspirem pelo meu embotamento musical, pelo meu parco conhecimento, que quer se fechar em seu cantinho aconchegante ao invés de explorar novos horizontes, ampliar as “portas da percepção”, deixa eu tentar me explicar. Música, para mim, é como o amor. Gosto das redescobertas. Um jeito de sorrir que eu não tinha reparado antes. Um solo que tinha me escapado. Um olhar distante: “-no que será que ele está pensando?”. Um verso que, de repente, passa a fazer um novo sentido. Penso que reconquistar alguém é muito mais difícil que conquistar pela primeira vez. E penso também que se permitir ser reconquistado (a) é uma tarefa não mais fácil. Permitir que antigas canções me reconquistem tem esse gostinho: de realizar uma tarefa difícil, que às vezes parece até impossível. Não estou querendo dizer que a chegada de novas canções impeça esse momento. É que para mim, fica mais difícil quando eu me perco em mundos de novos estímulos, conseguir me perder nos estímulos conhecidos. E, vou dizer, eu ADORO me perder nos estímulos conhecidos. Eu amo me apaixonar novamente pela mesma pessoa.

sábado, 8 de outubro de 2011

metamorfose

Guarde pra você tudo que mais lhe incomodar. Guarde o que te deixa indignado, desesperado, machucado. Guarde, mas bem guardadinho e não deixe ninguém nunca ver. Esconda de um jeito que mesmo que futuquem (e vão futucar), que escarafunchem, mesmo que roubem o seu diário, mesmo que devassem o seu armário, ainda assim nada se possa encontrar. Bem escondidinhas suas mágoas devem estar em seu casulo a se preparar. Elas se alimentarão de lágrimas, de sonhos, dias de solidão... Numa manhã de chuva, daquelas finas, que surpresa todos terão!

"Borboleta pequenina venha para nos salvar, venha ver quanta alegria que hoje é noite de natal"

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

nem hora, nem lugar


E quando os oráculos passam a interessar, as canções de ninar, a história que ninguém mais viu passar, o olho que segue o chão, a roupa folgada pra aconchegar, o canto do sofá... é quando a vida segue em espaços errantes, em tempo de ninguém e as horas não servem mais para marcar. As lembranças se amontoam em um compasso estranho, mas que, de alguma forma, é sempre familiar. E a música é calma, é doce, mas nunca melódica. Carecem de melodia as músicas desse lugar, nessa hora. É preciso que alguém chame por elas, que alguém grite o seu nome. - Música! Então, se faça a música. Preencha o lugar. O peito está vazio, é morada de quem chegar. – Música, vem cá!

Mas para chorar não. Chora-se em silêncio.

sábado, 17 de setembro de 2011

Não sei o que eu faço para achar de volta a minha vontade de escrever aqui que se perdeu em alguma gaveta do meu armário das desilusões....

quarta-feira, 29 de junho de 2011

pistas

O que faz a gente ficar com uma música grudada na cabeça, alguém já tentou se perguntar isso quando acontece consigo? Claro que já, né? Ou não? Bem, eu, que tenho a tendência de me perder horas e horas tentando entender coisas absolutamente inúteis na vida prática, já pensei várias vezes e tenho algumas considerações para dividir na tentativa de saber mais do assunto. Na verdade, não penso exatamente sobre o que faz grudar uma música na cabeça, porque, não sei se vocês já repararam, mas, pelo menos comigo, o que acontece com freqüência é ficar com uma frase da música na cabeça, ou seja, muito mais chato, é claro. Agora, nesse exato momento, estou pensando em “amanheça de cabeça dentro dela” que ouvi no clipe divulgado com vários outros clipes caseiros da dupla Miranda Kassim e André Frateschi, nesse link aqui quem quiser ir ver http://www.mirandaeandre.com.br/. Mas esse é apenas um exemplo recente. No geral, o que acontece pode ser resumido em:

1 – não se trata de gostar ou não da música, ou da letra - algumas músicas que ficam na minha cabeça eu amo, outras eu odeio, outras não fedem nem cheiram, é fato.

2 – Não se trata da novidade. No caso desse exemplo, realmente acabei de conhecer, mas muitas vezes músicas antigas ficam martelando uma mesma frase na minha cabeça sem parar, a ponto de acabarem parando nos meus sonhos e tudo.

3 – Não creio que tenha a ver com a pegada pop, pois, ao menos comigo, e no caso de frases (não da musica inteira), já experimentei esse fenômeno tanto com as mais popularescas quanto com as mais obscuras, então...

Penso que tudo isso tem a ver com processos psíquicos inconscientes. O que eu tenho matutado aqui, com meus botões é que a tal frase que fica na cabeça é uma pista, uma ponta de um novelo a ser desvendado para segredos sobre mim que eu mesma desconheço. Creio que ela fica insistindo na cabeça porque casou, colou com algum conteúdo que está lá guardado de mim mesma por alguma razão que eu também não sei. Como eu tenho uma queda forte por essa brincadeira de detetive no intangível e improvável mundo dos pensamentos, mais precisamente no reino governado por uma distinta senhora que chamamos Psique, adoraria desvendar cada pista que chega até a mim. No entanto nunca ocorreu que obtivesse sucesso nas minhas empreitadas. Não sei se por falta de mais pistas, ou se, talvez, eu esteja lidando com hipóteses descabidas, ou fracas talvez. “Amanheça de cabeça dentro dela” acordou comigo hoje. Até o final do dia estarei tentando descobrir o que essa frase quer realmente me dizer, “de cabeça dentro dela” para não perder a chance de um trocadilho infame.

domingo, 26 de junho de 2011

a boca

- Eu acho que sei porque você gosta dela...

- Então, me diga.

- É que vocês têm uma boca parecida.

- A boca? Mas o que parece, o formato?

- Também, o formato também parece. Mas tem uma sensualidade na boca que vocês duas têm igual.

terça-feira, 14 de junho de 2011

confiança

- Jura que você não vai perguntar aonde eu fui, com quem eu estava... nada?

- Não, eu confio em você.

- Jura?

- Claro, você não?

- hum... não.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

contos parte III

E a princesa resolveu se casar então com o bobo da corte. - Ironia, você me será fiel até que a morte nos separe? O bobo não tinha então opção. E assim a princesa viveu feliz para sempre...

segunda-feira, 11 de abril de 2011

contos parte I e II

A princesa e o bobo da corte. Parte I

Seria capaz da fidelidade eterna, de só ter olhos para o seu príncipe se pudesse ter a garantia que ele também assim o seria, disse a princesa consigo mesma. Mas disse em voz alta, pois eram pensamentos que escapavam pela boca. O bobo da corte que estava ao seu lado não pode deixar de ouvir. Como todos sabem, os bobos da corte não costumam ser assim: bobos. E como todos sabem também, não há reinos possíveis sem seus bobos. O bobo tinha nome. Nome fantasia, mas todos o conheciam por Ironia, como gostava de ser chamado. Ao ouvir os pensamentos da princesa o bobo reage.

- Tens sentimentos nobres, próprio da realeza a que pertences, minha cara, mas és tão tola quanto qualquer plebeu. Não há paixão na previsibilidade, disse o bobo. Caso tu suportastes essa condição tão inglória, certamente não suportaria a opacidade que receberias na recíproca do teu amor.

A princesa e o bobo da corte. Parte II

Se recolhendo aos seus aposentos a princesa pede ao bobo que a deixe em paz: - Ironia, preciso descansar agora. Então o bobo lhe fez a reverência e disse se retirando: - Descanse, minha princesa. Assim que despertar, eu aqui novamente estarei.

terça-feira, 5 de abril de 2011

tomaz e valentina

Eu sei que sou uma mãe besta, coruja, manteiga derretida, enfim, todos esses adjetivos que costumamos atribuir aquelas pessoas que ficam meio embotadas do pensamento quando o assunto trata de seus rebentos. Essa embotada sou eu, muito prazer! Mas aqui, do alto da minha corujice mais aguda, quero perguntar a vocês se alguém pode me condenar por meu mais absurdo derretimento. Tenho duas crianças lindas e vou começar falando do meu menino. Porque ele está aqui do meu lado, falando sozinho enquanto joga e sendo o que ele mais sabe ser nessa vida: lindo e muito, muito charmoso. Ele fala como se fosse o herói dos jogos e pergunta ao inimigo: "ah, você quer dançar? Então vamos dançar!", assim do jeitinho que o homem-aranha faz. Ele tem o olhar fixo na tela, os cabelos grandes com cachos grandes e douradinhos e uma boquinha de moranguinho, vermelhinha e bicudinha, linda. "Eu tô ganhando, olha mãe!". Outro dia ele era um gordinho, tão pequeno que mal sabia falar mamãe. Um gordinho que demorou pra andar e quando o fez saiu andando como se sempre soubesse como se fazia. Ele chamava água de "adum"e hoje está aqui matando os mais terríveis vilões do planeta, vejam só! Ele sempre inventa alguma coisa pra protelar ao máximo ter que fazer qualquer uma das coisas que ele não gosta: comer e lavar a cabeça, por exemplo. Outro dia ele disse a avó que existia um lugar que ninguém precisava comer e quando a avó perguntou de que viviam as pessoas em tal lugar, ele respondeu que viviam de sobremesa. Ele tem esse mundo só dele mas ninguém pense que ele lá se isola. Ele sempre quer alguém pra entrar nesse mundo cheio de vilões, sobremesas, heróis, lutas, cambalhotas, cabanas de lençóis e de super transformações junto com ele. Todo dia haveria uma história diferente pra ser contada no mundo de Tomaz. A gente é muito chato porque várias vezes perde a paciência quando o mundo de cá, esse mundo de escola, de almoço, janta, dormir, de pais na rua, pais trabalhando, irmã chorando fica no meio do caminho, entre Tomtom e sua eterna brincadeira. Se tudo pudesse ser uma brincadeira, meu filho estaria sempre feliz. E ele cresce tão rápido! E tá virando um magrelinho. E nunca quer comer, nunca! "Olha o bala de canhão, mãe! Era meu alien favorito quando eu era bebê!". Ele já fala do passado, quem aguenta? E agora vem uma menininha que ainda é uma pequena lombriguinha. Uma lombriga linda, sem brincadeira. Ela fala "mamã" pra qualquer coisa, cai com a cara no chão toda vez que tenta engatinhar e fica lá chorando até que alguém a tire daquela situação embaraçosa. Quando tenta ficar em pé, as pernas tão gordinhas e cheia de dobrinhas só conseguem ficar tortinhas. Tão linda tortinha! Ela cresce rápido também e daqui a pouco vai estar correndo, falando e argumentando com a gente, assim como o irmão. Ela parece que vai ser um pouco mais agressiva que ele pois ela grita alto sempre que está contrariada. Isso, no entanto, pode mudar muito ainda. Ela fica tão feliz quando eu apareço que me dá vontade de aparecer sempre. Ainda sabemos pouco de Valentina. Só que ela é linda e conquistadora. Sabemos que ela parece saber bem o que quer. Ela parece adorar Tomaz. Adora passear na rua. Quando dorme no meu braço eu fico beijando ela sem parar e sinto meu coração se derreter todo e que eu ficaria ali abraçada a ela pra sempre. Quando eles vão dormir é quando eu sinto a dimensão desse meu amor que nem cabe no meu entendimento. Tomaz e Valentina. Tomaz e Valentina! Tomaz e Valentina pra sempre!