segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

chove enquanto minha filha dorme

Caem raios e soam trovões, lá fora um mundo de perigos. ela dorme no berço, gripadinha, cafungando o nariz abusado que chateia o soninho embalado pela cantiga da chuva. e está escuro aqui dentro. escuro como um céu sem dia, nem noite. escuridão de hora nenhuma, dessas que reclamam solidão e se escondem atrás do armário das lembranças. ela dorme ainda. tem um travessiro rosa-salmão ou pêssego, não sei ao certo, em uma das mãos e outro que lhe apoia as costas. ela sonha, será? sonhos com trilha de chuva e nuvens pêssego. a chuva vai fraquejando. som dos pingos finais do concerto em um delicado gotejar, aqui e acolá. será que ela acorda? que desperte iluminando esse dia cinza e as penumbras que habitam os cantos do meu coração.

2 comentários:

Catarina Ribeiro disse...

nhom :)
valentina tem é sorte de ter a mãe que tem! beijos!

Paloma Guedes disse...

eu gosto desses seus textos curtos e poéticos... :)