sábado, 8 de novembro de 2008

all you need is love?

E veio a mim um pensamento assombroso na cabeça… (de repente estão vindo outros que não têm nada a ver com o primeiro, mas vou me concentrar para falar deste que, afinal, veio antes). Pensei que, devido a alguns exemplos recentes que tenho acompanhado, talvez os homens, em geral, só se apaixonem perdidamente de fato pelas mulheres que os maltratam. Sei que sempre costumo achar generalizações burras. Burras mesmo. E claro que eu acredito que minha observação não se aplique a qualquer homem, mas tenho que admitir que estou suspeitando que ela se aplique bastante ao homem médio (ou seria à média dos homens? Ou os dois? Afinal a média dos homens é habitada pelo homem médio, não?).
Acredito que existem aqueles, em patamares mais elevados de sensibilidade e sofisticação de alma, que são capazes de ter esse tipo de apaixonamento arrebatador pela sua mulher companheira, amiga, amante, blá, blá, blá... Enfim, acredito também que devem haver espécies de brutamontes com o espírito das cavernas encarnado que não são capazes de se apaixonar por ninguém at all (não vale a pena explicar mais sobre esse tipo de homem. Quem quiser, ou puder, entenda).
Voltando ao homem médio. É lógico que podem se apaixonar, inclusive pela mulher que tem e que o trata bem. Mas o que pega aqui não é o conceito “se apaixonar”, mas sim o “perdidamente”. Meus trinta e poucos anos andam me dizendo que perdidamente esses homens só se apaixonam mesmo pela mulher que manda ele embora. A que, mesmo gostando, não hesita em excluí-lo da sua vida; a que arranja outro; a que arranja muitos outros; a que sempre quer ficar mais em uma festa do que ir pra casa com ele; a que sai com os amigos direto do trabalho em uma sexta à noite e só volta no sábado à tarde; a que não liga se ele não ligar; a que não está em casa se ele demorar; a que viaja e não dá notícias; a que diz que o ama mas o deixa sozinho em uma mesa enquanto vai para a pista dançar com as amigas. E por aí vai...
O problema é que eu também não acredito que essa mulher que consegue fazer tudo isso realmente esteja dando vazão à sua paixão como ela queria. Ou então, talvez não esteja mesmo tão apaixonada assim. Então eu me pergunto: será que é possível que duas pessoas se entreguem completamente a uma paixão que consome? Será que será, Chico? Será que essa paixão que “desacata a gente (...) e é feito uma aguardente que não sacia” é possível coexistir em um espaço tão pequeno de dois seres ainda que se amem? E a tal lei da compensação?
Penso que talvez não exista esse tipo de amor apaixonado vivido a dois que um dia eu achei que sim, como possivelmente toda mulher que foi menina nos anos oitenta e cresceu assistindo o amor romântico/burguês da novela da Globo. Acredito mais em momentos. Em momentos de cada um. Poderia dizer uma briga de momentos, afinal muitas vezes os jogos amorosos são verdadeiras disputas, mas prefiro pensar em um balé dos momentos. Uma dança a dois onde um sempre espera o solo do outro, mas é capaz de acompanhá-lo com o mesmo enleve que envolve o seu coração durante o seu próprio solo (I hope so!).
E, como todo mundo sabe, para se apaixonar basta estar vivo e ser capaz de apostar. Um dia eu me casei (e já separei rs) e tive um buquê de lírios. Adorei quando descobri o significado dessas flores. Os lírios “dizem”: “- Ouse me amar”. Acho que é isso sempre não? Somos sempre muito ousados quando nos metemos a amar alguém. E, para mim, ousadia é uma mistura de coragem com espírito desafiador. Como se o ousado fosse capaz de se jogar em uma causa já perdida... e (mais uma vez eu e meu “talvez”) talvez se apaixonar seja essa aposta que fazemos em uma causa já perdida.
No final das contas, eu ainda acredito no amor. Imagino que seja para isso que estamos aqui inclusive. Só não creio em encontros perfeitos de almas gêmeas, digamos assim.
Comecei esse texto no intuito de culpar os homens pela destruição das ilusões amorosas femininas. Mas fui conversar com meu namorado antes de terminar de escrever e ele me convenceu que não se trata de homens que gostam de ser maltratados, mas sim de pessoas. Sim, me parece mais sensato isso. Só que lá, no fundinho do meu coração de mulher, não posso negar um sussurro feminista que ainda insiste em soprar no meu ouvido que, na verdade, a culpa de tudo que dói na gente é sempre dos homens (risos).

7 comentários:

Paloma disse...

sempre.. :)
e vamos filmar seu roteiro?

O Brasil ainda vai melhorar! disse...

All we need is love^^

anatulipa disse...

all we need..."we need" o não óbvio! mas isso é tãaao dificil numa relação mais prolongada! "we need" deixar de sermos preguiçosos e construir relações menos fugazes e voláteis...algo tão comum nos nossos dias atuais!


ps: gostei da colocação de martã...acho que são as pessoas, não necessariamente os homens! mas tb concordo com vc num momento mais feminista!
bj querida

Ticiana disse...

concordo com as idas e vindas desse seu texto.
Acho que todos temos nossos momentos de maldade e bondade e isso é que faz uma relação legal. As vezes.

salix disse...

e esse sussuro dentro de você (que você chama feminista) me soa mais compensatório, uma tentativa de balancear a síndrome de Eva que acomete a maioria de nós.
Adorei o seu texto. E que bom que você conversou com ele, porque a conclusão ficou realmente muito boa.
Ah, e caso não tenha ficado claro, eu concordo com ele. Gente é um bicho que tende (ai, meus deuses!) a se apegar muito ao que lhe causa dor - afinal, não haveria poesia se assim não fosse, talvez nem música houvesse, ou felicidade propriamente!, porque a gente é dualidade, e os contrastes, mais do que os sentimentos isoladamente, nos seduzem de maneira assustadora.

Pin Hole disse...

Botou prá F em Jú! Adorei. Parabéns. Mete bronca que eu tenho certeza que esta é a sua. bjs, Carol

Brighith disse...

huuum...que bacanaa que fez jornalismo...você escreve muuuito bem!
Eu tô fazendo cursinho pra prestar agora...tô uma pilha...mas beleza...
Ótimo, adorei o texto, parabéns!

Raquel V.